Pandemia muda dinâmica do mercado de tablets

Em 2020, foram vendidos 2,9 milhões de tablets e a receita foi de R$ 2,3 bilhões. Foto: Divulgação.

A pandemia de covid-19 provocou mudanças de hábitos e comportamentos e mexeu com padrões de consumo. Um bom exemplo vem dos consumidores de tablets, que em 2020 trocaram os modelos de entrada por modelos intermediários e premium e incrementaram o mercado que, embora tenha caído 12,7% em termos de vendas, cresceu 28,7% em receita, quando comparado a 2019. Em 2020, foram vendidos 2,9 milhões de tablets e a receita foi de R$ 2,3 bilhões. Os dados são da IDC Brasil, que atua nos segmentos de inteligência de mercado, serviços de consultoria e conferências com as indústrias de Tecnologia da Informação e Telecomunicações.

“O estudo remoto, o entretenimento e a impossibilidade de viagens ao exterior levaram a um aumento nas vendas de tablets acima de R$ 700”, afirma o analista de mercado da IDC Brasil, Rodrigo Okayama Pereira. Segundo ele, esse movimento está em linha com a transformação que fabricantes e canais têm implantando nos últimos anos em termos de estratégia, mix de produtos e foco. “O mercado tem apontado cada vez mais para tablets com especificações técnicas melhores, o que justifica os modelos intermediários e premium ganhando mais importância e participação”.

No 1º trimestre de 2020, foram vendidos 674.163 tablets no Brasil, 3% a menos do que no mesmo período de 2019. Para o período se esperava uma queda de 10%, mas a volta às aulas e os primeiros sinais da pandemia de covid-19 equilibraram o consumo do dispositivo. No 2º trimestre, porém, o mercado de tablets sofreu uma queda que não experimentava desde 2016: com vendas de 477.377 dispositivos, caiu 32,3% em relação ao mesmo período de 2019 e 29,2% em relação aos três primeiros meses de 2020. A reação começou no 3º trimestre. Em julho, agosto e setembro foram comercializados 747.852 unidades, sendo 681.817 para o varejo e 66.035 para o mercado corporativo, com uma receita total de US$ 129 milhões. O 4º trimestre foi o melhor do ano, com a venda de um milhão de tablets: 956.045 para o varejo e 87.253 para o mercado corporativo, com destaque para a entrega de dispositivos para projetos públicos do governo e educação. Nos três últimos meses de 2020 a receita foi de US$ 147 milhões.

Para 2021, a IDC prevê um crescimento de 24% nesse mercado. Segundo Pereira, a IDC vem acompanhando grandes projetos públicos e privados voltados para a educação e a expectativa é que esse segmento seja um dos responsáveis pela alta no mercado total de tablets, especialmente nesse cenário em que o ensino remoto tem se mostrado uma solução pontual viável e instituições de ensino têm considerado o retorno gradual e estudado opções de ensino remoto parcial, mesmo após o fim da crise do coronavírus.

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