A ClickBus e a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) anunciaram o lançamento do Índice do Rodoviário ClickBus (IRCB), uma ferramenta inédita para monitorar a evolução dos preços das passagens de ônibus no Brasil. O novo indicador oferece uma leitura ampla sobre o comportamento dos preços no setor, considerando diferentes tipos de viagem, categorias de serviço, distâncias e regiões do país.
“O ônibus move o Brasil”, afirma Phillip Klien, CEO da ClickBus. Segundo ele, o modal transporta cerca de 160 milhões de passageiros por ano, superando o setor aéreo. No entanto, este era o único grande meio de transporte do país sem um índice de preços confiável. O IRCB nasce para corrigir essa assimetria de informação e trazer mais transparência para consumidores, mercado e investidores.

O executivo destaca que cerca de 40% das passagens de ônibus atualmente são comercializadas de forma online. Dentro desse cenário de digitalização, o aplicativo da ClickBus representa 65% das vendas digitais da marca. A plataforma tem investido continuamente em tecnologia e, no ano passado, criou uma interface mais conversacional baseada em inteligência artificial no app, recurso que foi muito bem aceito pelos usuários.
Uma década de dados
O indicador utiliza como base as informações registradas pela ClickBus desde janeiro de 2017, mapeando quase uma década de dados do setor. Para garantir a segurança e a responsabilidade no uso das informações, todos os registros contam com criptografia de ponta a ponta. O processo trabalha exclusivamente com informações agregadas, sem qualquer identificação individual, preservando o sigilo comercial e a governança. No início de cada mês, uma equipe da Fipe tem acesso aos dados atualizados para manter o monitoramento sempre em dia.
“Esse estudo funciona como uma ferramenta de inteligência para a análise do segmento rodoviário no Brasil”, ressalta o presidente da Fipe, Bruno Oliva. A metodologia desenvolvida permite isolar a variação temporal dos preços, controlando características qualitativas como origem, destino e classe de serviço (convencional, executivo, semileito, leito e cama). A análise mede a variação dos preços no mês de saída da viagem, garantindo maior precisão ao retrato do mercado.
Principais conclusões sobre o mercado rodoviário
Com a primeira mostra do estudo, Klien aponta três conclusões principais obtidas após a análise dos números:
Atualmente os ônibus estão mais seguros, mais novos, com mais tecnologias e oferecem mais conforto aos usuários, sem que essa evolução tenha sido cobrada de forma desproporcional do consumidor.
Enquanto o segmento aéreo oscila em alguns momentos, o rodoviário se mostra muito mais consistente ao longo do tempo.
Num cenário de pressão do aumento do diesel, o ônibus se mostra mais resiliente, absorvendo grande parte dos choques de custos operacionais.
Os resultados acumulados de longo prazo reforçam essa visão. Entre dezembro de 2017 e abril de 2026, o custo das passagens de ônibus subiu 60,5%, ficando significativamente abaixo da evolução da renda média do trabalho no Brasil, que avançou 77,6% no mesmo período. Isso indica que houve ganho no poder de compra relativo dos brasileiros para viajar de ônibus.
No mesmo intervalo de quase uma década, o diesel acumulou uma alta expressiva de 119,4%, o que demonstra a capacidade das operadoras de absorver o encarecimento do principal insumo sem repassá-lo integralmente às tarifas.
Em um recorte mais recente, comparando abril de 2026 com abril de 2025, o indicador aponta que as passagens rodoviárias subiram 7,5%. O índice ficou bem abaixo do avanço registrado no preço do diesel, que subiu 15,7%, e das passagens aéreas, que registraram alta de 23,2% no período.
Preços e variações regionais
A análise detalhada do IRCB também expõe as dinâmicas regionais e de categorias nos últimos 12 meses:
Regiões: O Centro-Oeste registrou a maior alta anual (+8,2%), impulsionado por fatores de oferta e demanda locais, enquanto a região Sul apresentou a menor variação (+2,8%).
Classes de serviço: A categoria Convencional liderou a variação anual com alta de 6,5%, enquanto a classe Cama apresentou o menor reajuste, subindo 4,9%.
Distância: As viagens de curta distância (até 100 km) subiram 8,5%, passando por um ajuste mais intenso do que as viagens de longa distância (acima de 400 km), que avançaram 5,2%.
Abrangência: O segmento rodoviário intermunicipal subiu 5,8%, mantendo uma trajetória próxima do segmento interestadual, que registrou 6,1% de aumento.
Com uma análise mais detalhada do cenário rodoviário brasileiro, o IRCB passa a oferecer uma visão importante sobre a real dinâmica de preços e consumo no país. A partir de dados reais e atualizados mensalmente, o setor agora conta com uma base sólida de inteligência de mercado, permitindo que empresas, consumidores e órgãos reguladores compreendam de forma clara o comportamento do transporte que move o Brasil.
Fotos: divulgação/TecnoInforme















































