O mercado corporativo de PCs no Brasil está vivendo uma verdadeira dança das cadeiras tecnológica. Impulsionado pela necessidade de atualizar a infraestrutura de TI — especialmente com o fim do suporte de sistemas operacionais mais antigos —, o ecossistema empresarial virou o principal alvo das fabricantes. A busca das companhias agora vai além de computadores potentes: o foco está em Inteligência Artificial (IA) rodando direto no dispositivo, segurança e flexibilidade financeira.
Para dimensionar esse mercado, o setor global de computadores registrou a venda de 279,5 milhões de unidades, segundo a consultoria Omdia, o que representou um avanço de 9,2%. Os notebooks lideraram essa corrida, sendo responsáveis por 220,4 milhões desse total.
O diferencial hoje não está na venda do hardware em si, mas sim no modelo As-a-Service (como Serviço). Em vez de gastar capital de uma só vez comprando equipamentos, as empresas estão preferindo alugar os computadores com suporte incluso, transformando o investimento em despesa operacional previsível. Estimativas da IDC mostravam que esse mercado global de Device as a Service (DaaS) superaria a marca de US$ 214 bilhões. No Brasil, essa modalidade de locação cresce a dois dígitos por ano, e cerca de 10% das empresas do país já operam nesse formato.
De olho nessa fatia, marcas como Asus, Acer e Dell recalibraram suas estratégias no país e trouxeram novidades para o setor. Confira o que cada uma está colocando na mesa.

Asus Business amplia portfólio e ExpertBook Ultra ganha os holofotes
A Asus consolidou sua atuação no ecossistema corporativo brasileiro com a nova geração da linha ExpertBook. Sob o lema “Menos preocupações. Mais foco no seu negócio”, a fabricante desenhou sua estratégia para atacar o tempo de inatividade das máquinas, considerado um dos maiores gargalos operacionais das empresas. E o grande protagonista desse movimento é, sem dúvida, o ExpertBook Ultra, o principal destaque do evento de lançamento da marca.
O modelo chama a atenção logo de cara pela portabilidade e engenharia. Ele pesa 1,1 kg, traz tela Tandem OLED de 14 polegadas com proteção Gorilla Glass Victus e um chassi em nanocerâmica com dureza 9H. Por dentro, vem equipado com a plataforma Intel Core Ultra Série 3 e a suíte nativa ASUS MyExpert, que usa Inteligência Artificial local para resumir reuniões, transcrever áudios, organizar tarefas e criar minutas de relatórios, entregando uma autonomia estimada em até 26 horas de bateria.

Mas o grande trunfo da linha, comprovado nos testes rigorosos do evento de lançamento, é a resistência. Toda a nova família ExpertBook foi submetida a condições extremas e passou na prova. Os dispositivos contam com a certificação militar MIL-STD-810H após passarem por mais de 150 testes de estresse, o que inclui suportar quedas de 1,20 metro de altura e derramamento de água diretamente no teclado.
Essa robustez estrutural é o que permite à Asus manter o índice de chamados de suporte da divisão Business abaixo de 0,06%. Confiante nessa resiliência, a empresa democratizou a garantia on-site (com atendimento direto no cliente) por até cinco anos para toda a linha, que também conta com opções voltadas a diferentes estruturas de negócios:
Asus ExpertBook B3: traz aceleração de IA local com chips Intel Core Ultra Série 2 e arquitetura modular para upgrades de hardware.
Asus ExpertBook B1: focado na agilidade das equipes de TI, possui um chassi acessível por apenas quatro parafusos para manutenção rápida e o ASUS NumberPad virtual no touchpad.
Asus ExpertBook P1: a porta de entrada da marca para profissionais liberais e microempresas (o segmento ProSumer), com chips AMD Ryzen ou Intel Core.
Com o ExpertBook Ultra liderando a prateleira, a meta da Asus é acelerar o crescimento no mercado B2B e alcançar o Top 3 do setor corporativo brasileiro até 2030.
Acer expande atuação corporativa com modelo HaaS, produção em Jundiaí e IA na Amazônia
A Acer também está movimentando o ambiente B2B com passos largos. A marca, que completa 50 anos de história global este ano, enxerga no segmento corporativo uma das suas maiores oportunidades de crescimento no Brasil. A base dessa estratégia está ancorada na fábrica de Jundiaí, no interior de São Paulo, onde a companhia produz localmente os notebooks que abastecem o mercado nacional.

A estratégia por trás do programa Acer as a Service é focada em conveniência. Em conversa com Carolina Raimundo, diretora de marketing para a América Latina da Acer, ela explicou que o objetivo da companhia hoje é crescer nesse ecossistema entregando soluções integradas. Em vez de apenas vender o computador, a Acer aluga os equipamentos em um pacote que inclui serviços, soluções e profissionais da própria marca cuidando de toda a gestão e manutenção do parque tecnológico.
Esse serviço já está disponível em mais de 5,4 mil municípios brasileiros, contando com atendimento remoto, assistência on-site em parceria com a Unisys e um plano de backup com máquinas de contingência para o cliente. Do lado do hardware, a produção em Jundiaí atende às linhas de notebooks TravelMate (com ferramentas de IA para reuniões e resistência militar) e os computadores compactos Veriton, voltados para a economia circular e conformidade de dados.

Mas o grande salto da fabricante no ecossistema de alta performance local aconteceu em uma parceria inédita no país. Em um movimento estratégico para impulsionar a transformação digital na região Norte e atender ao Polo Industrial de Manaus (PIM), a Acer se uniu à varejista Bemol, na Amazônia Ocidental, e à integradora Seal Sistemas (Preferred Partner NVIDIA) para comercializar com exclusividade a miniestação de trabalho com inteligência artificial Veriton GN100.
O dispositivo é focado em resolver as três maiores dores das empresas hoje: velocidade de resposta, redução de custos com nuvem e proteção de dados. Segundo Marco Vorrath, diretor de Vendas B2B da Acer, o processamento local mantém os dados sigilosos protegidos dentro da organização e derruba a conta mensal com serviços de nuvem de forma expressiva. O movimento da marca acompanha uma tendência estrutural do setor: um relatório da IDC aponta que os chamados AI PCs, equipados com Unidades de Processamento Neural (NPUs) dedicadas, devem representar mais de 60% de todas as vendas globais de PCs corporativos até o final de 2026.
Equipado com o superchip NVIDIA GB10 Grace Blackwell, o Veriton GN100 entrega até 1 petaFLOP de desempenho em IA — o equivalente a um quatrilhão de cálculos por segundo. Essa potência compacta permite que desenvolvedores, cientistas de dados, universidades e pesquisadores executem tarefas complexas como treinamento e inferência de modelos de linguagem (LLMs), visão computacional e aplicações generativas localmente e sem latência. Com 128 GB de memória unificada e até 4 TB de armazenamento NVMe, o mini PC roda modelos de até 200 bilhões de parâmetros isoladamente, podendo dobrar essa capacidade ao conectar duas unidades.
Dell nacionaliza linha Pro Max e aposta na Dell AI Factory para descentralizar a IA
A Dell Technologies decidiu jogar pesado na infraestrutura local com o lançamento do notebook de alto desempenho Dell Pro Max 16 Plus, agora fabricado em solo nacional. Projetada para profissionais de setores como engenharia aeronáutica, óleo e gás e produções cinematográficas, a estação de trabalho móvel traz certificações ISV, garantindo máxima estabilidade para rodar softwares exigentes como os da Adobe e Autodesk. O dispositivo traz configurações de ponta, incluindo chips Intel Core Ultra Series 2, gráficos NVIDIA RTX de arquitetura Blackwell com até 24GB de memória dedicada, suporte para até 64GB de RAM e armazenamento para até três SSDs de 2TB.

No entanto, o grande movimento estratégico da companhia para redefinir a adoção de Inteligência Artificial nas corporações está ancorado na iniciativa Dell AI Factory. Desenvolvido em parceria com a NVIDIA, esse ecossistema foi pensado para simplificar a jornada da IA nas organizações, permitindo que os projetos comecem no desktop e escalem com segurança até o data center.
Dentro dessa filosofia, a grande cartada da fabricante é o desktop compacto Dell Pro Max GB10, uma solução deskside (para uso direto na mesa de trabalho) voltada a criar uma alternativa real à dependência da nuvem pública. Durante uma conversa promovida pela marca recentemente sobre a integração da IA no ambiente corporativo e a apresentação dos novos dispositivos, os gargalos da infraestrutura em nuvem tornaram-se evidentes: custos variáveis e imprevisíveis à medida que o uso escala, problemas de latência, filas de processamento compartilhadas e o constante risco à privacidade e soberania dos dados.

É exatamente nesse cenário que o Dell Pro Max GB10 se posiciona como o modelo ideal para verticais sensíveis e altamente reguladas, como saúde, finanças, governo e setor público. Equipado com o superchip NVIDIA Grace Blackwell, 128 GB de memória unificada e capacidade para entregar até 1.000 TFLOPS de processamento FP4, o mini PC permite rodar, testar e fazer a inferência de grandes modelos de IA localmente.
Ao optar por essa arquitetura local, a empresa realiza um investimento único e previsível, elimina a latência com respostas imediatas do sistema e garante que dados confidenciais fiquem 100% protegidos e confinados dentro da própria empresa. Para dar suporte a esse ciclo de vida, a Dell integra soluções como o Dell APEX PC-as-a-Service, que simplifica o gerenciamento de ativos, garantindo eficiência operacional e previsibilidade financeira para o gestor de TI.
O veredito: o futuro do silício corporativo é local, previsível e inteligente
Depois de analisar os movimentos de Asus, Acer e Dell, fica claro que o mercado corporativo de computadores no Brasil mudou de patamar. A época em que a decisão de compra de TI se baseava apenas em “processador mais rápido” ou “mais espaço em disco” ficou no passado.
Hoje, a grande corrida das fabricantes é para entregar autonomia e paz de espírito aos gestores de tecnologia. Seja por meio de modelos flexíveis de locação (HaaS/DaaS), como os que a Acer opera direto de sua fábrica em Jundiaí, ou pela garantia de que as máquinas não vão deixar o funcionário na mão — compromisso ilustrado pela resistência a quedas e líquidos da linha ExpertBook da Asus.

No topo de toda essa transformação, o grande divisor de águas atende pelo nome de Inteligência Artificial local. A chegada de soluções de processamento deskside, como o recém-lançado Dell Pro Max GB10 e o Acer Veriton GN100, mostra que o mercado está buscando ativamente uma alternativa à dependência e aos custos imprevisíveis da nuvem pública. Setores regulados e sensíveis agora podem processar modelos complexos de linguagem e visão computacional com soberania total, mantendo seus dados protegidos dentro de casa.
Com os AI PCs projetados para abocanhar mais de 60% do mercado corporativo global até o final deste ano, a mensagem das marcas é clara: o futuro do trabalho não está na nuvem compartilhada e nem nos investimentos imprevisíveis de capital. Ele é local, focado na experiência do usuário e na Inteligência Artificial. Cabe agora às empresas brasileiras escolherem qual dessas estratégias melhor se adapta ao seu próximo passo.
Fotos: divulgação/TecnoInforme















































